A Cadeia produtiva moveleira mundial ao longo de sua trajetória, sofreu grandes transformações principalmente no decorrer dos anos 90, obtendo consequentes ganhos de produtividade, isso não somente no tocante a introdução de equipamentos automatizados na área de produção más também na utilização de novas técnicas de gestão e uso de diferentes fontes de matérias-primas, uma vez que devido a questões ambientais, a utilização de madeiras de cunho nobre passaram a ter seu uso restrito, surgindo assim as espécies reflorestáveis tais como o Hardboard ( Chapa de Fibra de madeira), o MDP(Médium Density Particleboard) e posteriormente o MDF(Médium Density Fiberboard).
O Design Industrial passou a ocupar um espaço que até então não existia nesse setor, assim como, ferragens e acessórios passaram a ter uma relevante importância devido a nova matéria-prima empregada no desenvolvimento de produtos que exigiam novas técnicas.
Softwares de parametrização como o Auto CAD, surgiram no intuito de somar forças diante dessas novas tecnologias empregadas e com isso novas formas de projetar e visualizar o produto mesmo antes de ser concebido na linha de produção.
Um dado importante neste período foi a da massificação no consumo, em especial no segmento pertencente a móveis lineares retilíneos ou seja, aqueles fabricados a partir de painéis de madeira reconstituída, lembrando que em países desenvolvidos o ciclo de reposição desses gênero de produto sofreu grande redução e com isso aumento do dinamismo da indústria.
Para maior compreensão, quero destacar aqui, um texto ao qual me chamou a atenção pela clareza do autor na narrativa e ao qual descreve de forma impar a evolução desse universo tão peculiar e apaixonante chamado Cadeia Moveleira.
Bibliografia: Crédito a Setsuo Iwakiri - Professor de Painéis de Madeira da Universidade Federal do Paraná.
Foi na década de1960, quando entrou em operação a primeira indústria de painéis aglomerados, dando início ao desenvolvimento desse segmento como um dos principais fornecedores de matéria-prima para indústria moveleira no Brasil.
Nesse período, foi implementado também a política de incentivos fiscais para reflorestamento de grandes áreas com espécies do gênero pinus e eucalipto, nas regiões Sul e Sudeste de nosso País.
A Matéria-prima era abundante, embora de qualidade limitada, acabou impulsionou os setores de celulose e papel, de painéis de madeira e, mais tarde, das laminadoras e das serrarias.
A tecnologia industrial teve de se adaptar à nova realidade – a de exploração intensiva de grandes áreas de plantios florestais e a do processamento de toras de pequenos diâmetros em larga escala.
Surgiram novos desafios, como o de melhorar a relação produtividade/qualidade da madeira proveniente de plantios florestais, por meio de estudos nas áreas de melhoramento genético, técnicas silviculturais[1] e de manejo florestal.
E finalmente na década de 1990, entramos na era dos painéis MDF para atender à crescente demanda das indústrias moveleiras.
A primeira unidade produtiva foi instalada no estado de São Paulo, em 1997, e ao mesmo tempo, chegou ao Brasil a tecnologia da prensa contínua, que permitiu a manufatura de produtos de maior qualidade com alta produtividade, aumentando a competitividade do MDF no mercado.
Essas mudanças motivaram também as indústrias de painéis aglomerados a procurarem a melhoria da qualidade e da produtividade com a adoção de novas tecnologias.
Prensas de pratos foram substituídas por prensas contínuas em novos projetos industriais e na readequação das linhas de produção existentes.
A indústria de aglomerados que convivia com o estigma de produzir material de baixa qualidade, investiu em melhorias tecnológicas em termos de qualidade superficial, resistência à umidade, relação peso/resistência, etc.
Houveram ainda varias melhorias no processo produtivo, e essa evolução foi acompanhada a mudança na denominação comercial do produto, de aglomerado para MDP – médium density particleboard.
Hoje, os painéis MDF e MDP podem conviver no mesmo mercado, dividindo as partes de um mesmo móvel, trazendo benefícios ao consumidor por meio da otimização da relação custo-benefício.
A indústria moveleira pode ser segmentada tanto em função dos materiais que os móveis são confeccionados, como também de acordo com os usos a que se destinam.
Quanto aos usos, existem os móveis de madeira para residência (que contemplam os móveis retilíneos seriados, os móveis torneados seriados e móveis sob medida) e os móveis para escritório (móveis sob encomenda e móveis seriados).
[1][1] Silvicultura - é a ciência dedicada ao estudo dos métodos
naturais e artificiais de regenerar e melhorar os povoamentos florestais com vistas a satisfazer as
necessidades do mercado e, ao mesmo tempo, é aplicação desse estudo para a
manutenção, o aproveitamento e o uso racional das florestas.
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