AC- AdeliaCovre Consulting - Consultiria e Assessoria em Gestão de Produtos - Indústria Moveleira


"Não olhe para o ciclo de vida do produto: olhe para o ciclo de vida do mercado."(Philip Kotler)
"A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o processo pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente."(Peter Drucke).

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

E assim iniciamos o Ano!!!......

Finalmente com o término do carnaval e período de férias, inicia-se 2015!...

Transcorrido o evento de maior repercussão no Brasil, o país tende a começar a se movimentar e dar os primeiros passos rumo ao novo ano.

Obviamente que 2015, teve um inicio nada animador do ponto de vista econômico e político, mas o inevitável agora é procurar observar as oportunidades que se abrem mesmo diante de prognósticos nada animadores.


O importante é não se deixar abater diante das dificuldades e tamanha indignação perante os fatos atuais de corrupção por parte do governo atual , é preciso sim ter coragem de empreender mesmo diante de cenários contraditórios, afinal grandes empresas investem justamente em momentos desfavoráveis da economia. 

Evidentemente que para isso é preciso ser pensado em uma boa ESTRATÉGIA e é sobre esse tema que devemos concentrar nossos esforços visando driblar o cenário atual. 

Vamos lembrar que ESTRATÉGIA é o programa geral para a conquista dos objetivos de uma organização e, portanto, fundamental para o desempenho de sua missão. 

Ela estabelece uma mesma direção para que a organização, em termos de objetivos estabelecidos, possa se orientar quanto ao aproveitamento dos recursos usados e assim, seguir em direção a estes objetivos. Ela ainda associa os recursos humanos e demais recursos aos desafios e riscos apresentados pelo mundo exterior.

Neste sentido não poderíamos deixar de citar o conceito de estratégia empresarial a qual é caracterizada pela conjunção de produto /mercado, ou seja, é a especificação dos produtos com os quais a empresa pretende atingir seus objetivos e os mercados onde ela pretenda operar para colocá-los ou vendê-los. Para melhor compreensão, ela é um conjunto de processo de gestão a qual visa à tomada de decisão de uma empresa a médio e longo prazos, envolvendo decisões relativas à definição de negócios (produtos, serviços, clientes alvo, posicionamento, etc.), objetivos e, mais especificamente, os fatores críticos de sucesso.

Segundo Michel Porter,professor da Harvard Business School e autor de diversos livros sobre estratégias de competitividade, existem cinco fatores (Forças Competitivas), que devem ser estudadas para que se possa desenvolver uma estratégia empresarial eficiente.

São elas:

  • Rivalidade entre os concorrentes 
  • Poder de Negociação dos Clientes 
  • Poder de Negociação dos Fornecedores 
  • Ameaça de Entrada de Novos Concorrentes 
  • Ameaça de produtos substitutos
A essas cinco forças chamamos de Cinco Forças de Porter.

Michel Porter, tem como foco a indústria e como objetivo a elaboração de cenários industriais. Ele parte do pressuposto de que os cenários prospectivos são a melhor ferramenta a ser utilizada por uma empresa no momento de escolher sua estratégia competitiva em um ambiente de grandes incertezas com relação ao futuro. 

Nosso caso hoje no Brasil!

Porter (1998) sugere os seguintes passos para a construção:

  1. Identificar as incertezas que podem afetar a estrutura industrial;
  2. Determinar os fatores causais que as conduzem;
  3. Fazer uma série de suposições plausíveis sobre cada fator causal importante;
  4. Combinar suposições sobre fatores individuais em cenários internamente consistentes;
  5. Analisar a estrutura industrial que prevaleça sob cada cenário;
  6. Determinar as fontes de vantagem competitiva sob cada cenário;
  7. Prever comportamento da concorrência sob cada cenário.
Uma coisa é fato, momentos de crise sempre existiram e querendo ou não, tais momentos permitem o saneamento do mercado, pois é nela que desaparecem empresas que não conseguem se adaptar e as que conseguem claro, permanecerão e outras surgirão com inovações que com certeza irão criar novos paradigmas de mercado. Por isso é tão importante ter sangue empreendedor, afinal empreender envolve todas as funções, atividades e ações associadas à percepção de oportunidades e à criação de organizações que buscam organizadamente estas oportunidades.

Cinco elementos são fundamentais na caracterização de um empreendedor:

1. Criatividade e inovação: empreendedores conseguem identificar oportunidades, grandes ou pequenas, onde ninguém mais consegue notar;
2. Habilidade ao aplicar esta criatividade: eles conseguem direcionar esforços num único objetivo;
3. Força de vontade e fé: eles acreditam fervorosamente em sua habilidade de mudar o modo como as coisas são feitas e têm força de vontade e paixão para alcançar o sucesso;
4. Foco na geração de valor: eles desejam fazer as coisas da melhor maneira possível, do modo mais rápido e mais barato;
5. Correr riscos: quebrando regras, encurtando distâncias e indo contra o status quo.

Empresários, não alimentem falsas esperanças, sem ousadia nada acontecerá e você continuará na famosa zona de conforto, apenas reclamando e indo a deriva com sua empresa.

Uma frase interessante que define bem essa linha de pensamento é:

Você não consegue resultados focando apenas nos resultados. Resultados são obtidos quando você foca nas ações que produzem os resultados. (Mike Hawkins)

Queixar-se não vai trazer a você resultado algum, o resultado irá existir a partir do momento que houver uma ação!

Vejo como é interessante observar a forma como as empresas de modo geral, enfrentam as situações adversas que surgem. Iniciando pela resposta dada às cartas de reclamação de seus clientes, até mesmo aos testes que encontram defeitos ou falhas em seus produtos até o gerenciamento completo de uma crise. O que visualizamos geralmente é um despreparo muito grande por parte das organizações e daí podemos observar como não está sendo dada a devida atenção a problemas que têm o potencial de arranhar sua imagem ou reputação, quando não administrados da forma adequada.

No setor moveleiro, setor esse ao qual atuo, vejo por exemplo, que a maioria das indústrias estão totalmente desfocadas com relação ao mercado atual e não admitem que precisam de ajuda para reverterem a situação. 

Fundamental é sempre planejar uma estratégia de gestão de crise coerente. Ter um plano B para um momento ruim poderá fazer toda a diferença na velocidade de reação e recuperação de sua empresa em um mercado em crise como é hoje o nosso. Não espere que o momento das vacas magras se aproxime para se preparar, muitas vezes em meio a momentos de turbulência são tomadas decisões precipitadas e às vezes irreversíveis.

Qualquer empresa esta sujeita a passar por períodos de crise. O que acaba distinguindo uma empresa de sucesso das demais é que estas sobrevivem à crise, e isso ocorre exatamente porque dispõem de pilares sobre os quais se sustentam nos momentos difíceis. No entanto, esses pilares são erguidos ao longo do tempo, a partir do investimento na educação dos profissionais e, conseqüentemente, no desenvolvimento das organizações que se tornam mais fortes para superar as crises. Por outro lado, nos momentos de crise, as empresas tendem a cortar custos, inclusive possíveis investimentos em programas de treinamento e desenvolvimento. Mas também as crises trazem sempre consigo novas oportunidades. Assim, mesmo com recursos limitados, esse com certeza pode ser um momento de começar a construir os pilares de uma empresa bem sucedida.

Tenham em mente que, as empresas que desenvolvem pilares sólidos e estão mais aptas para enfrentar uma crise, normalmente não suspendem seus investimentos no desenvolvimento de pessoal e menos ainda o da organização.


“A principal atividade do bom administrador é identificar o futuro que já chegou, explorar as mudanças que já ocorreram e usá-las como oportunidades” ( Peter Drucker – Pai da Administração)

Vamos refletir um pouco pessoal sobre esse assunto!.....

E de fato iniciar 2015 objetivando atitudes!!!

Adélia Covre

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Porque Praticar Gestão de Produtos, Projetos e Inovação!

“As únicas grandes companhias que conseguirão ter êxito são aquelas que considerarem os seus produtos obsoletos antes que os outros o façam.” (Bill Gates)

É com esse pensamento celebre do gênio Bill Gates, que início esse assunto tão importante e que tão poucos praticam.

Podemos dizer que em nosso país, ainda é incipiente a utilização de técnicas de gestão de produtos e projetos. Obviamente que se encontra a caminho de uma fase evolutiva, principalmente devido ao processo de globalização ao qual passa a indústria nacional e que sem sombra de duvidas, tem contribuído cada vez mais para a mudança de cultura com relação a estes dois tipos de modalidades de gestão. Mais ainda há muito a ser feito nesse área.

Gestão de produtos é algo de grande relevância no momento, afinal, organização alguma sobrevive sem boas estratégias, projetos inteligentes e produtos que atendam um consumidor ávido por novidades no mercado. 

Para quem ainda desconhece, foi na década de 80, devido à grande complexidade das organizações e a velocidade de implementos de ações de Marketing (deixo claro que tais implementos o próprio mercado exigiu), é que surgiu a figura do Gerente de Produtos. Paulatinamente, as empresas dos mais variados segmentos, foram aderindo e fortalecendo suas áreas de Produtos. Aos poucos o mercado foi entendendo melhor o papel dos profissionais de Produtos, suas responsabilidades e importância.


Imagem Fonte: www.effectchange.com.au

Um Gerente de Produtos é um profissional responsável em trazer a visão do cliente para dentro da empresa, ele organiza as áreas e pessoas estratégicas, efetua a captação de recursos internamente ou externamente e finalmente leva ao cliente uma opção diferenciada que corresponda às suas necessidades ou expectativas. Que fique claro sua grande importância no contexto da sobrevivência de uma organização.

Neste contexto, é preciso evidenciar uma área a qual esta diretamente interligada a gestão de produtos, o Gerenciamento de Projetos, que é a aplicação de conhecimentos, habilidades e técnicas para a execução de projetos de forma efetiva e eficaz. Refere-se a uma competência estratégica para organizações, permitindo com que elas unam os resultados dos projetos com os objetivos do negócio e com isso, melhor competir em seus mercados.

De acordo com a “Bíblia” do gerenciamento de projetos, o PMBOK (Project Management Body of Knowledge - 1969), que é um guia elaborado pela instituição mais renomada do mundo nesta área, o PMI (Project Management Institute), a palavra projeto está definida da seguinte forma:


“Projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado único e exclusivo”.

Imagem Fonte: www.k-scope.com

Para ABNT ISO/IEC TR 29110-5-5-1-2 [2012] –  O processo de gerência de projeto consiste em “estabelecer e realizar de forma sistemática as tarefas do projeto de implementação de software, que permitem cumprir os objetivos do projeto na qualidade, tempo e custo esperados”. 

Partindo desses dois conceitos, compreende-se que, Gestão de Projetos é o conjunto de aplicação de técnicas, conhecimentos e habilidades que garantem que um projeto venha a ter sucesso.


“As empresas inovadoras não gastam esforços para defender o passado.” (Peter Drucker)

Hoje, muitas empresas estão adotando a estrutura de projetos em seu dia-a-dia. Isso somente esta acontecendo, por que elas perceberam o quanto viabiliza ações acertadas desde a concepção de um novo software, até a implantação dos procedimentos de atendimento a clientes, na construção de uma ponte até mesmo na revisão dos processos de venda com foco a aumentar a taxa de fechamento de negócios. Sendo assim, muitos empreendimentos no seio das organizações se enquadram na classe de projetos. 

Nos mais diversos setores, a abordagem de gerenciamento de projetos está ganhando terreno, afinal, permite um melhor uso dos recursos visando atingir objetivos bem definidos pela organização. 

É preciso evidenciar que este modelo de gerenciamento é um processo único, consiste em um grupo de atividades coordenadas e controladas com data para início e término, sendo assim, é a chave para determinar se realmente estamos desenvolvendo um projeto. Caso se esteja empenhando forças para realizar ou desenvolver um produto ou mesmo um serviço onde o mesmo não possua data de início e fim, provavelmente não se estará em um projeto. Logo, seu gerenciamento pelo PMBOK (Project Management Body of Knowledge) estará cem por cento comprometido.

Um dado ao qual chamou minha atenção, foi uma pesquisa que encontrei elaborada pela Prado & Archibald, ( MPCM - Relatório Maturidade Brasil 2008) que demonstrou que existe uma evolução na utilização de técnicas de gestão de projetos com destaque para a iniciativa privada e neste setor em especial para a área de tecnologia da informação, onde os riscos são maiores, ainda na iniciativa privada a pesquisa mostra que os demais setores pesquisados utilizam a gestão de projetos com mais intensidade as empresas de maior porte e conseqüentemente com maior competitividade, interna e externa.

Obviamente que o gerenciamento de projetos vem recebendo cada vez mais atenção no meio empresarial e acadêmico, pois provê um conjunto de ferramentas gerenciais para abordar alguns dos problemas organizacionais de forma organizada.

Um outro modelo de Gestão que vejo como interligado aos dois modelos anteriormente citados é a Gestão de Inovação.

Segundo um estudo baseado em empresas brasileiras, foi apontado que poucas têm formalizado e desenvolvido um modelo de gerenciamento do processos de inovação (RABECHINI Jr. et al., 1996). O mesmo estudo mostrou ainda que, as práticas de monitoramento da inovação tecnológica podem ser classificadas em quatro categorias, segundo o tipo da empresa. 

Sendo elas: 

Primeira categoria - Caracterizada pelas empresas que já possuem um sistema de monitoramento tecnológico estabelecido (procedimentos de pesquisa, triagem, avaliação e apresentação) – Multinacionais;

Segunda categoria - Diz respeito às empresa cuja prática do monitoramento da inovação tecnológica é ainda incipiente (procedimentos de sistematização em estágios iniciais e em evolução) e cujo sistema começa a ser informatizado - empresas nacionais do setor eletroeletrônico e de informática;

Terceira categoria - Compreende as empresas que praticam o monitoramento tecnológico de forma ainda incipiente, com as informações ainda não informatizadas. Esta categoria inclui uma empresa nacional que considera importante a tecnologia para atingir maior competitividade;

Quarta categoria – Refere-se àquelas empresas que não realizam o monitoramento tecnológico. Nesta categoria estão incluídas pequenas empresas nacionais.


Pelas referências acima, nota-se o quanto ainda as indústrias encontram-se carentes na prática efetiva de Gestão de Produtos e Gestão de projetos em suas mais diversas nuances, em especial as indústrias do setor moveleiro.Torna-se evidente que o momento atual, onde o mercado encontra-se exigente e ao mesmo tempo retraído, venha a ser necessário a utilização de ações voltadas a planos de gestão e que estes sejam eficazes, visando assim trazer resultados benéficos ao longo dos próximos anos.

Acompanhando diversos parques industriais do setor moveleiro, tenho observado o quanto sua maioria necessita de mudanças no tocante a prática de alguns tipos de modelos de gestão. Um exemplo é a modalidade de gestão de inovação a qual é quase inexistente no setor e esta diretamente ligada à gestão de Produtos e projetos, não eximindo assim, outros modelos aos quais citei em posts anteriores.

O Celebre Peter Drucker, tem uma citação bem interessante referenciando a gestão de inovação.

“A inovação sempre significa um risco. Mas ir ao supermercado de carro para comprar pão também é arriscado. Qualquer atividade econômica é de alto risco e não inovar – isto é, preservar o passado é muito mais arriscado do que construir o futuro.”(Peter Drucker)


Mais do que conceituar inovação, é necessário compreender o papel da inovação para a empresa. Inovação não é remédio para todos os males, nem a solução de todos os problemas, mas certamente é imprescindível para o sucesso empresarial. Deve-se ter em mente também que, inovação não é a mesma coisa que invenção e que gestão da inovação também não significa gestão do conhecimento, embora façam parte de um mesmo universo, se complementem e sejam igualmente importantes.

Inovação deve ser tratada como elemento chave de competitividade, já que os mercados se tornam cada vez mais competitivos.
Para que se possa compreender e empreender gestão de inovação em uma empresa é necessário dentre outros aspectos, assimilar como a inovação pode impactar no aumento de competitividade de um negócio, tanto em termos de diferenciação no mercado, quanto através do aumento de produtividade e redução de custos. É importante olhar para a própria empresa, entender e conhecer sua cultura e seus valores, pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades, explicitando e desdobrando sua estratégia de inovação. 

www.trinityp3.com
Conhecer e aplicar métodos e técnicas de gestão essenciais para estruturar os processos, bem como saber identificar as principais barreiras às inovações e visualizar como transpô-las é fundamental em qualquer organização. Gestão de inovação é muito mais que o desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e serviços. Envolve a criação de novos modelos de negócios, novas formas de atender necessidades dos consumidores, novos processos organizacionais, novos meios de competir e cooperar no ambiente empresarial.

Uma coisa é fato, todas as empresas buscam posicionamentos melhores no mercado através de lançamentos de novos produtos ou mesmo através de uma remodelação nos modelos já existentes. Porém, se essa mudança não acorrer de forma profissional e planejada a organização corre o risco de sofrer com o alto custo, sem contar o tempo que qualquer projeto exige. 

Que fique evidenciado, somente através de um eficaz gerenciamento de projetos, um bom gerenciamento de produtos e de uma boa prática de gestão de inovação, todos aplicados de forma adequada, é que uma organização será capaz de atender as exigências do cliente moderno com maior qualidade e preço competitivo, além da organização ficar em destaque perante o seu mercado principalmente em momentos de crise.

Pensem a respeito e analisem a importância de uma boa diretriz!!!

Adélia Covre




Referência Bibliográfica:

GUIA PMBOK. Um Guia do Conjunto de Conhecimentos em Gerenciamento de Projetos. Quarta Edição, 2008
(Fonte: http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/1033)
http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/990
http://www.fnq.org.br/informe-se/artigos-e-entrevistas/entrevistas/a-importancia-da-inovacao-para-a-sobrevivencia-das-organizacoes

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Porque a Embalagem de um Produto é tão Importante!

Hoje venho utilizar esse espaço para falar de um assunto muito importante ao qual continua sendo um imenso calcanhar de Aquiles no setor moveleiro.

Que assunto é esse?......EMBALAGEM.

Diga-se de passagem, um problema latente nesse setor!

Já não é mais novidade para quem atua neste segmento de mercado que a indústria moveleira, em especial a seriada, reluta demasiadamente em investimentos com embalagem, não se atentando para o fato de que é ela que efetua toda a referência e apresentação do produto. Sem contar ainda que um dos maiores responsáveis pelos altos índices de assistência técnica e desperdício de recursos neste tipo de negocio, vem justamente da má qualidade das embalagens utilizadas e a falta de investimentos direcionados para esse setor tão importante.

Normalmente este tipo de indústria embala seus produtos de qualquer maneira, efetuando o que chamo de embrulho, sem uma analise adequada, sem que um designer, que é o profissional especializado para isso a desenvolva, e todo esse desperdício é gerado por um único motivo: 

Empresários acreditam que estão economizando quando na realidade estão desperdiçando!

Imagem Fonte: Portal do Montador de Móveis.(POM)
Obviamente que toda e qualquer embalagem têm uma grande importância no dia a dia das pessoas e em suas escolhas com relação aos produtos aos quais necessita, mas a embalagem não é apenas simplesmente um invólucro que acondiciona um determinado produto, ela também o VENDE e este é um dado fundamental para quem ainda não percebeu.

Seu papel é proteger, vender uma marca e mostrar os reais cuidados que uma empresa tem com relação ao que fabrica.

Ela é o principal elemento de conexão e de comunicação entre o seu Cliente, o seu produto e a sua empresa.  É também um dos principais fatores que impulsiona a venda de um produto. Afinal, se a embalagem não for condizente com o produto, se ela não chamar a atenção de quem o compra, a chance do seu cliente não perceber o conteúdo é infinitamente maior. É justamente aí que entra o papel do Designer de embalagem.

Entre os atributos mais facilmente perceptíveis gerados pelo design de uma embalagem estão: a praticidade, a conveniência, a facilidade de uso, o conforto,  a segurança e a proteção do produto.

Além disso, o design agrega valor aos produtos ao adequá-los de forma eficiente às necessidades e expectativas do consumidor e definir seu posicionamento correto no mercado. Estes valores podem ser emocionais mas geram reflexos práticos bastante objetivos como percepção de funcionalidade, identidade, personalidade e principalmente fidelidade à marca.

Ao lançar um produto, as empresas devem avaliar qual o tipo de embalagem mais apropriada para acondicionar e apresentar o potencial do produto, levando em consideração aspectos sociais, culturais, de funcionalidade, de segurança, de toxidade, além de fatores como facilidade de manuseio, de reciclagem, continuidade de fornecimento e por fim o mais importante é o design da embalagem, pois este é um fator determinante para a decisão do consumidor já que é no layout que a embalagem deve transmitir todo o conceito da marca e todos os argumentos do conteúdo.

Imagem Fonte: Projepack


Algo que é facilmente identificado nas indústrias desse segmento é a falta de técnicas adequadas no momento de desenvolver a embalagem de um novo produto. É simplesmente apavorante, volto a repetir, a quantidade de assistência técnica que é ocasionada por problemas oriundos de embalagem e transporte. Índices que poderiam ser reduzidos se houvesse uma atenção maior neste tipo especifico de desenvolvimento.

Os empresários deste setor precisam entender que a embalagem é fundamental para o sucesso de qualquer produto lançado no mercado, pois é nela que o consumidor acessa as informações do conteúdo, por isso as embalagens são determinantes para o sucesso de venda de qualquer produto oferecido.

Outro grande problema que é encontrado em muitas indústrias, diz respeito ao peso de um produto embalado. É comum caixas ultrapassarem o limite especificado por normas que é de 70kg e esse excesso de peso em uma determinada caixa, pode sim acarretar avarias no produto devido ao difícil manuseio do mesmo quando retirado do transporte.

Durante o manuseio e no transporte do móvel, o produto está sujeito a sofrer algum tipo de dano, logo, é necessário analisar algumas dessas possibilidades e saber como evitá-las.

Existem alguns aspectos importantes a serem observados no desenvolvimento de uma embalagem. Segundo estudos, ela deve ser desenvolvida observando os seguintes aspectos:
  • Aspectos técnicos, produção e funcionalidade;
  • Aspectos regulatórios, legislação e certificações;
  • Aspectos estéticos;
  • Aspectos ambientais;
  • Aspectos mercadológicos e econômicos.

Logo, uma embalagem deverá ser:

A.  Fácil de montar e desmontar;
B.  Fácil de abrir e pegar o produto;
C.  Fácil de estocar quando vazias;
D.  Fácil de comprar e controlar;
E.  Ecologicamente Correta;
F.  Padronizada (fazer parte de uma família)

A embalagem deverá conter ainda: 
  • Desenho que valorize o produto;
  • Dimensional compatível com os veículos de transporte;
  • Compatibilidade com os equipamentos de movimentação e armazenagem;
  • Uma boa relação de custo benefício. 
Uma embalagem jamais deverá ser desenvolvida da maneira a seguir:

1. Se a alta gerência não comprar a idéia;
2. Se não houver praticidade operacional;
3. Se não houver a documentação necessária das embalagens e processos;
4. Se não houver ferramentas adequadas para montá-las;
5. Se não houver espaço e layout para operação;
6. Se o pessoal operacional não estiver treinado;
7. Se o pessoal operacional não souber montá-las;
8. Se o pessoal operacional não estiver disposto em operá-la;
9. Se o processo de produção não estiver equacionado;
10. Se for Dispendiosa.

É importante que não haja incapacidade no manuseio do volume e na concepção da embalagem em si. Armazenamento inadequado, variações climáticas e a falta de treinamento, podem provocar danos ao produto a ser entregue.

Toda a atenção e cuidados eliminam o problema.

Como exemplo, posso citar o caso de um cliente ao qual adquiri alguns produtos com um único intuito, o de analisar como consumidora e como o invólucro do produto havia sido desenvolvido.

Primeiramente o tempo que levei para retirar o produto da embalagem me custou mais de uma hora, sem contar a quantidade de papelão e plástico desperdiçados. Acabei chegando à conclusão que a embalagem do produto custava mais caro que o próprio produto adquirido.

O nome que dei a isso foi......DESPERDÍCIO!

Imagem Fonte: www.modular-cabinet.com

A imagem ilustrativa acima nos mostra não uma embalagem mas sim um mero embrulho.

Na época, o que foi alegado pelos responsáveis da empresa foi que essa era a única maneira que encontraram para o produto chegar sem avarias ao seu destino.

Resultado em minha sala depois de 1 hora e meia tentando romper três embalagens de um simples produto medindo 300x300mm.

Claro que de imediato me ocorreu uma pergunta instantaneamente......

Como explicar um móvel não chegar inteiro em seu destino se uma caixa de ovos ou de uma TV LED, produtos que são super sensíveis, conseguem chegar intactos em seu destino fazendo uso de uma embalagem extremamente simples?

 

A conclusão que eu e meu parceiro de trabalho chegamos é que eles preparavam uma embalagem representando um tanque de guerra e não para chegar à casa do Cliente.

O que faltou neste caso é simples, DESENVOLVIMENTO adequado efetuado por pessoas capacitadas para esse fim e um maior controle no transporte. Diga-se de passagem, que é muito comum neste setor, encontrarmos gerentes de área que acabam concedendo privilégios às transportadoras e esquecem-se de vestir a camisa da própria empresa.

Uma embalagem eficaz não significa embrulhar o seu produto e menos ainda, fazer uso de todos os tipos de materiais disponíveis na sua fabrica para esse fim.


Um dado interessante é o que a ABRE (Associação Brasileira de Embalagens), divulgou:

As pequenas e médias empresas perceberam que podem e devem investir em design para serem competitivas, mais do que isso, viram que design não é um serviço de luxo, ao contrário, trata-se de um serviço altamente especializado, com uma ótima relação custo x benefício e que pode ser facilmente incorporado ao seu cotidiano.

Esse dado aplica-se a indústria moveleira?

Deveria mas infelizmente não é assim que tem ocorrido normalmente, pois, indústrias do setor resistem em investir nessa área de forma adequada. Acreditam estar economizando quando na realidade estão desperdiçando. E isso me remete a uma frase incontestável do Gênio da Administração moderna:

“Não sou especialista em Brasil, mas uma coisa estou habilitado a dizer: NÃO CREIAM QUE MÃO DE OBRA BARATA AINDA SEJA UMA VANTAGEM.”(Peter Drucker)

Para que um produto chegue intacto em seu destino é preciso que haja maior atenção e empenho no desenvolvimento da embalagem e um controle mais eficaz na forma a qual o produto é transportado.

É preciso ser entendido que, de nada adianta economia demasiada por um lado e desperdício do outro, pois dessa forma não se estará praticando uma Gestão que possa trazer retorno.

Aqui estão alguns exemplos de embalagens simples porem eficazes:

Imagem Fonte: www.cabinets.com

Imagem Fonte: www.hexacomb.com

Outro dado interessante de estudos realizados pela Associação Brasileira de Embalagens  é que 75% das empresas que investiram em suas embalagens nos últimos anos, tiveram aumento em suas vendas. Ainda nesta pesquisa, foi mostrado que os consumidores preferem os produtos que possuem embalagens mais atraentes, que sejam bonitas e práticas, mesmo em produtos semelhantes.

“A embalagem é um fator que complementa a marca e por isso precisa comunicar ao consumidor a sua identidade. Este fator é fundamental”. (Helio Moreira, diretor da NewGrowing Design & Branding.)

Ele ainda complementou com essa outra citação:

“A embalagem não pode ser tratada apenas como um insumo ou um elemento secundário na composição do produto. Para o consumidor, ela é ao mesmo tempo uma expressão e um atributo do conteúdo”.

Indústrias moveleiras, reavaliar a forma como estão sendo desenvolvidas suas embalagens e as estão enviando ao seu Cliente é um bom começo de prática de gestão.

Pensem nisso!!!

Adélia Covre  



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