AC- AdeliaCovre Consulting - Consultiria e Assessoria em Gestão de Produtos - Indústria Moveleira


"Não olhe para o ciclo de vida do produto: olhe para o ciclo de vida do mercado."(Philip Kotler)
"A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o processo pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente."(Peter Drucke).

terça-feira, 20 de outubro de 2015

O Design Evolutivo – A Indústria Moveleira esta preparada?

Estamos diante de inúmeras transformações sociais, econômicas e tecnológicas e esse fato é impossível negamos!

Tais mudanças ocorridas nos últimos anos, acabaram causando a intervenção no design pelo usuário, ao qual grande parte hoje dos produtos desenvolvidos, visam as experiências causadas a estes usuários, cujo foco primordial seja atender as suas necessidades e com isso inserindo-os como sujeitos ativos no processo de design nesses novos tempos.

O consumidor passou a ser contemplado diretamente atuando dentro do processo da concepção de um produto e consequentemente da ação evolutiva do design.

A experiência do consumidor, assim como o conceito de design são processos mutáveis, frutos da evolução de filosofias projetuais, tecnologias, e contextos sócio-econômicos, em que seus significados são construídos tanto pelos designers que pensam e atuam visando à solução, bem como pelos usuários que a experimentam.


Projetar produtos interativos que sejam realmente usáveis, requer que seja levado em conta, a experiência causada por quem irá utilizá-los, e o seu contexto de uso. 

Uma outra preocupação importante que necessita existir, consiste em entender o tipo de interação que as pessoas realizarão quando estiverem interagindo com os produtos aos quais foram desenvolvidos dentro dessa nova filosofia, portanto para esse fim.

Desse modo, para que um projeto possa passar boa experiência ao usuário, é preciso considerar um conjunto de elementos tais como:

1. Para quem vamos projetar (é necessário conhecer singularidades correspondentes ao usuário que irá participar da experiência);

2. O que será projetado como objeto da experiência (se é um produto, um serviço, uma interface, ou uma nova tecnologia);

3. O objetivo da interação (como por exemplo, criar uma experiência de interação onde permita que o usuário possa mergulhar na experiência por meio de uma interface atraente e fácil de operar);

4. Onde a experiência ocorrerá (seu contexto específico de uso seja este físico, social, tecnológico, etc.);

5. E quando a experiência ocorrerá (considerando que, de acordo com aspectos cognitivos e emocionais do usuário, a experiência possa iniciar antes mesmo da interação propriamente dita).

Dada a complexidade das relações entre os fatores humanos e os contextos que compõem uma experiência, assim como suas características intrínsecas, ou seja, pesquisas desenvolvidas no campo do Design Emocional (Emotional Design), busca-se compreender a experiência subjetiva na relação humano-produto e assim projetar com foco nas emoções.

Eis uma filosofia que bate em cheio com os conceitos do Marketing 3.0 difundido pelo Mestre Philip Kotler.

Segundo o Mestre e Designer Gui Bonsiepe (2012), “A preocupação central do design, está justamente na otimização da relação usuário e produto, contribuindo para o processo de desenvolvimento do produto de forma integrada, em que, a aparência do produto não deve ser interpretada de forma especial como algo agregado, mas sim conformada com a estrutura da solução. Desse modo, por meio da aparência, o designer busca imprimir personalidade ao produto, estimulando as emoções e comportamentos dos usuários.”

Uma coisa é possível afirmar por estar comprovado, projetos com foco nas emoções humanas já vinham sendo desenvolvidos anteriormente pelas áreas do design em todo o mundo, porém sem a devida comprovação científica dos reais impactos causados pelos produtos em sua relação com os usuários, o que acabou levando os projetistas, a trabalharem de forma arbitrária ou indutiva na tentativa de criar produtos que causassem determinadas sensações nas pessoas. 

O estudo das emoções no design, lembrando ser de caráter interdisciplinar, surge portanto com o propósito de fornecer suporte aos projetos de design com foco nas experiências dos usuários, contando com contribuições de áreas como a ergonomia, a psicologia e a antropologia.

Diante do exposto, será que as indústrias moveleiras estão particularmente alinhadas dentro desse contexto ainda recente aqui no Brasil?

Será que estão alinhadas para desenvolverem produtos dentro deste novo conceito?

Vejo que caso a visão estratégica por parte das organizações não se expanda, a ponto de serem compreendidos todos esses pontos citados anteriormente, será difícil manter uma sobrevida sadia no mercado que nos aguarda nos próximos anos.

Infelizmente ainda nos dias de hoje, o interesse financeiro existente por parte das empresas, comprometido na maioria com as vendas, normalmente acaba sendo a direção do trabalho voltado ao desenvolvimento, deixando assim por completo de atender o foco que deveria ser o principal: "As necessidades específicas que precisam ser abordadas por intermédio das metodologias de projeto, comuns e próprias do design"

A criação acaba muitas vezes em não atender as necessidades do cliente, pois dificilmente a decisão será definida por quem vai consumi-la, ou com base na visão do consumidor, que deveria ser a base fundamental de onde nasce o trabalho e de onde se deveria buscar os conceitos.

Outra dificuldade é que as questões culturais no Brasil também regem o posicionamento do design, isso em comparação a países desenvolvidos como Europa, USA e Japão. 

Basta observarmos a evolução do mobiliário nos últimos 10 anos como foi apresentado no congresso moveleiro deste ano pela Amiga e também Designer Silvia Grilli (Portal TRENDMÓVEL).

Comparado a produtos como os eletro eletrônicos e linha branca, no universo onde "nada se cria e tudo se copia", foi quase nada, devido ao conservadorismo de conceitos ultrapassados de design.

Poderia aqui ficar exemplificando por intermédio de fotos a evolução do mobiliário em nosso país, porem prefiro deixar a critério de cada um a análise dos fatos.

Finalizo esse post com uma citação do Papa do Marketing, Philip Kotler, em sua palestra no seminário “The Best Of Philip Kotler” , em São Paulo onde o foco principal foi os novos desafios do marketing e os caminhos que devem ser trilhados pelas empresas.

“O design de um produto é tão ou mais importante que o nome da empresa em si e citou como exemplo a Harley-Davidson. Ele revelou que sua esposa queria uma moto da marca apenas para colocar na sala de estar de sua casa como objeto de decoração. E completou dizendo que a marca cria um universo em torno da marca, com relógios, jaquetas e até barbas para quem quiser incorporar o um “estilo de vida”.”

Que as indústria do setor moveleiro possam repensar suas estratégias e conceitos, visando colocar por terra sua forma convencional de pensar e administrar, bem como seus valores e estratégias adotadas visando adoção de medidas inovadoras.

Tenham todos, uma semana produtiva em ações que inovem!!!

Adélia Covre



Fonte: http://www.proceedings.blucher.com.br/article-details/a-experincia-do-usurio-no-processo-evolutivo-do-design-12922

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Design Inteligente – Porque as Indústrias Moveleiras terão que se adaptar!

Entramos definitivamente na era do produto inteligente!

O que isso quer dizer?

Quer dizer que um produto para ter apelo diante desse novo consumidor, precisa nesses novos tempos possuir funções interativas, seu uso exige trabalho cognitivo e um desenvolvimento cognitivo está relacionado às diversas áreas as quais temos contato diariamente, como os pensamentos, a percepção, a linguagem, o raciocínio e a memória.

É cada vez mais comum, especialmente em grandes metrópoles, pessoas morarem em lugares apertados, cuja área privativa é pequena e esses apartamentos de poucos metros quadrados precisam de uma decoração inteligente, projetos muito bem pensados para não se tornarem verdadeiros cubículos ou “apertamentos” e é nesse sentido, que muitos designers vem trabalhando em todo o mundo.

A exemplo dessas soluções inteligentes, podemos citar o chamado de CityHome, que é uma aposta do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) para resolver o problema do espaço em casas pequenas.

Ele é um dispositivo controlado por gestos e capaz de se mover como uma peça em um jogo de encaixar. Ele conta com um balcão de cozinha, superfície de fogão, mesa, cama e armário, tudo em um mesmo móvel.



Por se tratar de um móvel, ele pode ser deslocado para um lado ou outro da casa, servindo inclusive para ocultar espaços, como acontece na imagem demonstrada acima, em que a tecnologia utilizada é a grande vedete, e o CityHome demonstra servir para esconder parte do banheiro do apartamento tomado como exemplo.

O interessante do projeto é a promessa de seus criadores, que é a de fazer um apartamento de 20 metros quadrados parecer ser três vezes maior do que realmente é.

O projeto foi desenvolvido pelo laboratório Changing Places (algo como “Mudança de lugares”), especializado neste tipo de mobiliário aplicada ao dia-a-dia de espaços. Segundo o líder da equipe responsável pelo CityHome, Kent Larson, o dispositivo não é apenas um conceito e eles estão trabalhando para levá-lo ao mercado.



Se esta idéia vai vingar ou não no mercado, ainda não sabemos, mas uma coisa é certa, o conceito é extremamente interessante, inteligente e acredito ser um excelente exemplo e tento de mobiliário no conceito inteligente.

As indústrias moveleiras e de muitos outros segmentos, terão que parar de desdenhar tanto de seus departamentos de desenvolvimento de novos produtos e partirem para investimentos relacionados a pesquisas voltadas a produção de desenvolvimentos de produtos inteligentes, que transmitam emoção e uma experiência nova relacionada a interatividade do consumidor com o produto desenvolvido e adquirido.

Agora será impossível fugirmos dessa nova realidade.

Muito vem se falando em Smart Design, mas muito ainda precisará ser feito na indústria para ser possível alcançarmos e implantarmos essa nova filosofia de conceitos de produtos.

As indústrias precisam compreender a importância da visão estratégica como ferramenta fundamental para a realização de investimentos em pesquisas tão necessárias oriundas dos setores de desenvolvimento de produtos.

As indústrias precisam inovar e não me canso em dizer isso!

Precisamos lembrar que devido aos grandes avanços tecnológicos e a evidente demanda por segurança e comodidade, a automação residencial tem ganhado destaque no mercado atual. Com o objetivo de integrar dispositivos e sensores de uma residência, a automação proporciona um maior conforto e segurança aos usuários, centralizando todo o controle em um único dispositivo.

É preciso lembrar aqui que sistemas de automação residencial, vêm se destacando cada vez mais no mercado atual, tendo grande crescimento, vindo acompanhado do desenvolvimento de novas tecnologias e meios de controle, até então tidos como inovadores.


Assim como os smartphones e as smart TVs, quando apresentado aos adéptos como sendo uma nova tecnologia que lhes proporciona maior comodidade, seus usuários não se imaginam privados de seu uso, que passa a ser uma ferramenta essencial no dia a dia.

Do mesmo modo, tem ocorrido com a integração dos dispositivos por meio da Domótica.

A Domótica é uma tecnologia recente e é responsável pela gestão de todos os recursos habitacionais. Este termo nasceu da fusão da palavra “Domus”, que significa casa, com a palavra “Robótica”, que está ligada ao ato de automatizar, isto é, realizar ações de forma automática.

Muito alem da necessidade de conscientização desse novo conceito de mobiliário, é preciso assumir uma postura sem medo de revolucionar esse mercado tão cheio de conservadorismo oriundo do universo industrial moveleiro existente no Brasil.

“Criatividade consiste no total rearranjo do que sabemos com o objetivo de descobrir o que não sabemos.” (George Kneller)


Que todos possam refletir e respeito da importância desse tema na atualidade!

Adélia Covre

Fontes: · co.Design · Gizmodo

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A Mudança Comportamental necessária à Inovação!

Estamos definitivamente presenciando nos últimos anos mudanças comportamentais significativas no mercado e também no universo tecnológico-digital.

O Fato é que, toda a mudança a qual vem sendo sentida na atualidade, irá forçar a mudança necessária na indústria moveleira, o que provocará que os empresários desse setor se vejam diante de uma “Grande Sai Justa”, em decorrencia do conservadorismo predominante no setor por anos a fio.

A busca por conhecimento e as rápidas mudanças que vem ocorrendo em todos os cenários, deixa explicito que se não houver mudanças comportamentais emergenciais, isso afetará negativamente os relacionamentos comerciais, pessoais e organizacionais das empresas e por conseqüência natural os resultados.

Necessário é compreender que os resultados almejados por uma organização, estão diretamente ligados ao nosso comportamento, portanto o único caminho é comporta-se de acordo com o resultado que se pretende atingir e para isso o primeiro passo que o empresário deve tomar é perguntando a si mesmo:

Estou pronto para mudar minha forma de pensar, agir e olhar?

Mas é preciso deixar claro aqui que: Sem que haja mudanças profundas na forma de pensar, agir e visualizar o mercado de hoje, torna-se impraticável qualquer iniciativa pretendida rumo a inovação necessária cobrada por esse novo cenário do mercado atual.

Vamos compreender que a mudança comportamental significa alterar a sua forma de agir para alterar os resultados.

Obviamente que a mudança comportamental não é algo fácil sem contar que leva algum tempo para ocorrer, afinal requer na maioria das vezes o desapego à crenças e paradigmas impostos por dogmas sociais, familiares e religiosos. 

Contudo, para ser possível expandir percepções de mundo é preciso desconstruir-se e reconstruir-se, permitindo a si mesmo o aprender e reaprender.

Em um post passado, citei uma frase que vem de encontro a essa realidade:

“O analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender, e reaprender.” (Alvin Toffler)

Esse pensamento do escritor e futurista Alvin Toffler, nos remete a mais pura realidade dos fatos vividos no momento presente.

Ocorre que a realidade no sentido lato, não é aquilo que enxergamos e sim, uma extensão dos nossos modelos mentais.

Entre as diversas possibilidades existentes para que uma empresa promova a inovação, possuímos aquelas que se referem a inovações de produto ou de processo.

Estas especificamente são conhecidas como inovações tecnológicas. 

Existem outros tipos de inovações claro, como as que podem se relacionar a novos mercados, novos modelos de negócio, novos processos e métodos organizacionais e ainda as de novas fontes de suprimentos. 

Contudo, infelizmente as pessoas normalmente confundem inovação e processos de inovação, com melhoria contínua e processos relacionados a esse tema e é preciso deixar evidente aqui que:

Para que uma inovação seja caracterizada, é necessário que seja causado um impacto significativo na estrutura de preços, na participação da empresa no mercado, em sua receita, dentre outros fatores preponderantes no contexto.

Gravem isso: As chamadas melhorias contínuas, normalmente, não são capazes de criar vantagens competitivas de médio e longo prazo, mas de manter a competitividade dos produtos em termos de custo.

“Inovação é a exploração com sucesso de novas ideias.” – (Nick Baldwin)

Um dado interessante que muitos do setor moveleiro não se atentaram é que a maioria das grandes empresas e principalmente as de sucesso, são detentoras de áreas inteiras dedicadas à inovação, possuem laboratórios de pesquisa e desenvolvimento que contam com vários pesquisadores. 

Porem, para que as indústrias realizem inovações é necessário em primeiro lugar que os empresários tomem consciência da real importância existente em inovar em um cenário competitivo como o vigente na atualidade.

Ouçam: É impossível se tornar uma empresa inovadora sem dar a devida importância ao tema.

O assunto referente a inovação é complexo admito, afinal ele permite interpretações e também adaptações e envolve uma série de competências tecnológicas, mercadológicas e gerenciais. Algo que, na indústria moveleira, muito ainda há de ser feito nesse sentido.

Entender o conceito de inovação e praticá-lo demanda tempo, dedicação e investimentos.

Entretanto, o que se pode perceber é que as empresas que se tornam verdadeiramente inovadoras não se arrependem de ter direcionado seus negócios nesse caminho.

Vamos refletir sobre esse tema e procurar caminhos que nos permitam chegar lá!

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.” – (Leon C. Megginson)

A todos um excelente final de semana!...


Adélia Covre

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