AC- AdeliaCovre Consulting - Consultiria e Assessoria em Gestão de Produtos - Indústria Moveleira


"Não olhe para o ciclo de vida do produto: olhe para o ciclo de vida do mercado."(Philip Kotler)
"A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o processo pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente."(Peter Drucke).

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

DNP Parte 2 - O Preço da "IN"Competência, não se restringe apenas aos Moveleiros. Inicia-se pelos Fornecedores deste Setor!

Métricas em processos, existem para serem seguidas!

No Post publicado por mim anteriormente, me detive em elucidar as falhas ainda encontradas na indústria moveleira quando o assunto diz respeito ao uso de métricas de uma DNP (Desenvolvimento de Novos Produtos), enquanto processo interno e externo a ser seguido e respeitado pelas indústrias desse segmento.

Contudo, certas etapas iniciais são fundamentais para que todo esse complexo processo tenha seu andamento com eficiência. Isso quer dizer que depende não somente da equipe interna de uma empresa, mas também da externa que neste contexto são os responsáveis pelo fornecimento de insumos, aqueles elementos essenciais para a produção de um determinado produto.

É preciso aqui lembrar que no mundo dos negócios, parceria tem um sentido estratégico de aliança em torno de um projeto, que quando realizado em cooperação, pode trazer maiores benefícios para os parceiros e seus clientes.

Visando dar continuidade a esse assunto de suma importância, ainda mais diante de uma atualidade de mercado em mutação acelerada, venho dar prosseguimento ao tema debatendo a falta de engajamento encontrados no setor moveleiro originados não somente da parte dos moveleiros mas também por parte de fornecedores de ferragens e acessórios neste processo de grande importância que é a DNP.


Um sistema seja ele qual for, para que funcione corretamente insisto......É PRECISO QUE ESTE OCORRA EM PERFEITA HARMÔNIA E SINCRONICIDADE. 

Subentende-se, que é preciso que haja comprometimento na empresa de todas as partes, ou seja, das áreas interna e externa envolvidas em todo esse processo.

Afinal, métrica alguma pode ser seguida de maneira adequada e com êxito, caso um dos pilares cometa falhas ou negligências no longo caminho a ser percorrido.


Neste caso específico, quero me referir aos fornecedores desses insumos citados anteriormente, até porque passei recentemente por um desconforto nesse sentido ao qual é um exemplo real dos descasos que corriqueiramente são cometidos nesse setor.

Quando não há comprometimento por parte de fornecedores para com seus clientes nesse processo, torna-se impossível uma DNP chegar ao seu final com real eficiência e cumprimento de prazos.

Que a indústria moveleira ainda negligencia seguir a risca os fundamentos da DNP, isso não é mais novidade para ninguém. 


Contudo, enfrentamos neste mercado hoje, um outro contrassenso:

A FALTA DE COMPROMETIMENTO TAMBÉM DE FORNECEDORES, QUANDO O ASSUNTO DIZ RESPEITO À AGILIDADE DE ENTREGA DE AMOSTRAS PARA O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE NOVOS PRODUTOS (DNP).

Como sou da opinião que só conseguimos enxergar determinadas falhas, quando elas de fato acontecem diante de nosso olhos, resolvi narrar um clássico exemplo vivenciado por mim em um cliente.


Recentemente, após ter desenvolvido um novo produto para uma conceituada indústria do setor moveleiro, solicitei amostras das ferragens a serem utilizadas no protótipo e determinantes para que um sistema inovador pudesse ser desenvolvido.

Detalhe: com antecedência considerável, ou seja, muito antes do processo interno na indústria ser disparado.

Para minha surpresa, passados dois longos meses o pedido solicitado ao fornecedor ainda não havia sido entregue e não por falta de cobrança de minha parte, ao contrario.


A equipe interna deste cliente não me colocou a par da real situação justamente por ter como premissa manter o designer afastado da criação após a aquisição do projeto, algo que confesso ter me surpreendido por não estar habituada a trabalhar dessa maneira.

Todas as vezes que entrei em contato com a equipe deste cliente específico, o que ouvi foi uma forma educada de me manter longe alegando que tudo estava correndo bem e que quando o protótipo estivesse pronto, me avisariam para poder acompanhar sua finalização e ajustes.

Faço um pequeno aparte: 

Passaram-se um mês, dois e nada dos encarregados responsáveis pelo processo interno deste cliente me chamarem.

Logo comprovei um fato ao qual já desconfiava!

Meu cliente deixou o processo ser disparado tarde demais e pela complexidade de um sistema indicado para esse projeto e que seria desenvolvido a partir de uma ferragem específica a ser instalada no protótipo, não haveria tempo hábil para o desenvolvimento acontecer no prazo antes estipulado.

Primeiramente o sistema novo a ser utilizado, se adquirido pronto, precisaria ser importado e seu valor nada atrativo para esse mercado, objetivamente o jeito seria desenvolve-lo no mercado interno mesmo, o que demandaria certo tempo. 

Alem deste desconforto, para completar a falha no processo, o fornecedor do principal dispositivo, não havia entregue a suposta ferragem principal para o possível desenvolvimento do novo sistema. Detalhe.....após dois meses que a solicitação havia sido efetuada.

Segundo o vendedor desse fornecedor, não cito seu nome por ética, ao invés de mandar entregar diretamente a encomenda neste cliente que faria uso da ferragem solicitada, achou melhor esperar que o comprador desta indústria moveleira, solicitasse a ele a entrega, ou seja, teve uma ABSURDA conduta, ainda mais vinda de um fornecedor de renomada indústria multinacional, uma vez que quando solicitado, foi pedido que o sistema fosse entregue diretamente ao cliente e para um determinado encarregado pela DNP nesta empresa!

O que nos passa pela mente em um caso destes é:


O fornecedor agiu com Descaso?


Houve falha na comunicação?

Faltou profissionalismo do vendedor deste fornecedor?

Faltou agilidade da área de logística do fornecedor?

Despreparo e Amadorismo do vendedor do fornecedor?

Obviamente que nesta situação ocorreu de tudo um pouco, inclusive falhas internas no cliente.

Contudo, o mais grave que vejo neste exemplo e falha imperdoável, foi justamente a falta de comprometimento desde determinado fornecedor com todo o processo, com o designer ao qual solicitou as amostras e lhe indicou bem como com seu próprio cliente, a indústria moveleira em questão.

Claro que não posso eximir a falha interna de meu cliente, ao qual sem sombra de duvidas jamais poderia ter negligenciado a complexidade do novo produto a ser desenvolvido.


A primeira falha cometida pelo cliente, deu-se quando os envolvidos no processo da DNP, sabendo que o designer autor havia solicitado as amostras das ferragens ao fornecedor indicado, não se preocuparam em fiscalizar os prazos de entrega das mesmas e em momento algum entrou em contato seja com este fornecedor em questão, seja com o designer, para saber o porque da demora da entrega.

Não houve fiscalização no processo de coleta de materiais a serem utilizados pelo cliente usuário, assim como falha total na comunicação interna e externa (Fornecedor x Cliente - Cliente x Fornecedor - Cliente x Designer).

Importante ressaltar: Quando a documentação do projeto foi entregue, foi comunicado que a indicação de fornecedores de ferragens e acessórios era uma mera referencia, podendo a indústria escolher os fornecedores livremente desde que respeitando o sistema escolhido independente das amostras que mim haviam sido solicitadas pra um determinado fornecedor.

Neste caso especifico, houve total descaso com o processo de ambos os lados ( Indústria e Fornecedor), devido ao vicio latente que todos os envolvidos  possuem, em deixar um novo desenvolvimento sempre para o ultimo minuto do segundo tempo em total acomodação.

Sendo assim, claro que os envolvidos não se preocuparam com os prazos. 

Em se tratando de métricas de uma DNP, a indústria moveleira falhou no processo como um todo, pois uma vez que a documentação do novo produto já se encontrava em mãos, poderia perfeitamente ter dado inicio a DNP com a antecipação necessária ao invés de ter deixado para o último minuto do segundo tempo. 

Moral da história, o lançamento foi adiado e pode ser ate comprometido devido a uma sucessão de falhas tanto do fornecedor, quanto da indústria. 

Este é um belo exemplo de que falhas desse tipo, podem sem sombra de duvidas comprometer o lançamento futuro de um novo produto.

“Não há nada tão inútil quanto fazer com grande eficiência algo que não deveria ser feito”(Peter Drucker)

Esse é um exemplo clássico dos erros sucessivos que ocorrem nestas indústrias do setor moveleiro em pleno século XXI.

Este é apenas um exemplo da falta de comunicação interna e da velha mania enraizada relativas a falta de respeito por prazos de processos e a pouca importância dada ao desenvolvimento de um novo produto, desrespeitando assim todos os fundamentos e métricas, aos quais citei em meu post anterior relativos ao processo correto de DNP.

Essa é uma típica demonstração do amadorismo encontrado ainda nesse setor sem contar o tipico exemplo que citei em meu post anterior, sobre a tipica mania da indústria moveleira querer manter o designer criador externo, longe do comando de sua criação!

O que não posso deixar de citar é o descaso e porque não dizer, o descomprometimento existente, tanto das indústrias moveleiras, quanto de fornecedores, quando o tema é a a criação de uma DNP.


Quem sai perdendo?...Todos!

A bem da verdade essa miopia ocorre por um simples motivo:

“No vocabulário da maioria das pessoas, design significa aparência. É decoração de interiores. É o tecido de cortinas, do sofá. Mas para mim, nada poderia estar tão longe do significado de design. Design é a alma fundamental de uma criação humana, que acaba se expressando em camadas externas sucessivas do produto ou serviço.” (Steve Jobs)

Torna-se inadmissível, diante desses tempos de novos conceitos, como os do Marketing 3.0, encontrarmos empresas que recusam-se em profissionalizar seus processos internos ou mesmo que negligenciam a prática de uma eximia gestão interna.

É preciso ter claro que os modelos tradicionais de gestão, formulados com base nas características da sociedade industrial, em épocas passadas incorporavam uma visão restrita sobre o papel do ser humano nas organizações, em decorrência, as ações relativas ao aproveitamento do pleno potencial de seus colaboradores eram conduzidas de forma limitada.

Na atualidade, a ambiência dos negócios nesses novos tempos, exige a superação dessas limitações.

Nesta sociedade do conhecimento, torna-se indispensável à plena utilização do potencial criativo e inovador encontrado em todos os colaboradores, mas que somente se torna efetiva quando corretamente desenvolvida.

Precisamos ter como fator mais do que necessário para essa nova realidade, a prática da GESTÂO POR COMPETÊNCIA!

Algo que esse setor ainda esta longe de compreender seu real significado.

Ressalto ainda que competência compreende aspectos intelectualizados e adquiridos, conhecimentos, capacidades e experiência.

A Gestão por Competências e Habilidades Estratégicas, tem como base a orientação e o foco interdisciplinar e multifuncional das competências e habilidades, proporcionando a convergência dos comportamentos organizacionais em qualquer atividade, função ou papel desempenhado em uma organização.

Resumidamente é o gerenciamento com foco no desempenho/performance, tanto a nível individual quanto organizacional, utilizando indicadores estratégicos de resultados baseados nas competências (conhecimento, saber) e habilidades (ação, fazer) específicas e estratégicas.

E ai vem a inevitável pergunta!....


Tal preceito é seguido neste setor???


Realmente não é nada fácil encontrar um projeto que tenha sido planejado e executado de forma perfeita, sem nenhum problema ou contratempo, principalmente em termos de orçamento, prazo final e qualidade do produto neste setor. 

Obviamente que todos sabemos que não é fácil manter uma parceria cordial e profissional com todos os envolvidos em uma empresa. 

Muito embora nenhum projeto é absolutamente perfeito, alguns deles conseguem chegar ao final com uma quantidade mínima de problemas e apesar das dificuldades, muitos projetos até terminam em sucesso.

Mas por outro lado, não é raro encontrarmos projetos que foram pouco ou mal sucedidos. Algumas das vezes um projeto pode ser um total fracasso. E também é muito comum terminar um projeto com prazo final e orçamento seriamente comprometidos.

Existem muitas causas possíveis para os problemas que cercam um processo de DNP. 


Entretanto, os erros mais comuns que estão na raiz da maioria destes problemas são:

Planejamento inadequado e falta de definição do escopo do projeto;

• Ingerências no plano de trabalho;

• Recursos humanos e financeiros inadequados ou insuficientes;

• Inadequada gestão provocando mudanças de escopo;

• Comunicação falha entre os envolvidos no projeto (
Stakeholders);

• A não visualização dos riscos do projeto;

• Falhas no gerenciamento da qualidade do projeto.


Com base no exemplo aqui citado das falhas ainda encontradas no processo de DNP, podemos concluir o quão longe esse setor está da COMPETÊNCIA exigida por essa nova era de valores.

“Para que a implantação de um Sistema de Gestão tenha Sucesso, é importante a integração dos processos aliada à tecnologia, o apoio do suporte, o treinamento e principalmente o envolvimento e dedicação de toda a equipe da empresa.” (André de Araújo Campos)

É passada a hora de extirpar de uma vez por todas o amadorismo encontrado no setor moveleiro com relação as práticas básicas para obtenção de sucesso em processos de DNP!

Gravem que a palavra de ordem desta nova era é......COMPETÊNCIA e que o exemplo aqui citado sirva de alerta para que falhas assim possam deixar de existir no setor.

Adélia Covre

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

As Falhas ainda encontradas na Indústria Moveleira quanto ao quesito - Desenvolvimento de Novos Produto (DNP)!

É Impressionante como em pleno século XXI e diante de tantas mudanças e inovações acontecendo no mercado e no mundo, persistem na indústria moveleira velhos hábitos nada adequados quando o assunto se refere aos métodos utilizados no processo de desenvolvimento de novos produtos - DNP.

Obviamente que não poderia negligenciar que muitas delas já entenderam que é preciso fazer uso do designer de produtos para essa importante tarefa.


Contudo, a forma a qual o processo é tratado internamente, continua sendo de forma amadora por muitas e completamente fora dos requisitos básicos exigidos para que funcione de maneira eficaz tanto no âmbito interno quanto no externo da empresa.

Lembro-me bem que quando muito nova, com bagagem profissional sendo construída, sendo amadurecida e atuando como uma recém Gerente de desenvolvimento de novos produtos em indústria, a rotina de uma DNP, não era nada profissional nesse tipo de indústria.

Ora o lojista comparecia a indústria para uma visita e imediatamente lançava uma ideia, geralmente inspirada em copia oriunda de outros fabricantes, em outros momentos nosso próprio diretor  nos aparecia com propostas de mesma similaridade, o que a meu ver era deprimente e desrespeitador para com toda equipe de projeto.


Detalhe, sempre no ultimo minuto do segundo tempo e tínhamos que desenvolver o novo produto da noite para o dia, todo o processo sem o menor critério, aqueles tão necessários como os de: analises de mercado, tendências, padronagens,  testes de mecanismos utilizados, analise de viabilidades sócio-econômica e menos ainda mapeamento de processos para o lançamento exigido de ultima hora. Sem contar, a prática que nunca fui a favor, e os que me conhecem a anos bem sabem, das inúmeras vezes que provoquei discussões com a diretoria e mesmo no setor em questão, em torno dessa velha prática do Control "C", Control "V" bem característica na indústria moveleira.

Inúmeras vezes passei por essa desagradável situação diante de uma feira prestes a se iniciar ou seja, faltando menos de uma semana para seu inicio e tendo que estar com o 
produto, fruto da falta de profissionalismo, pronto sem que pudesse obedecer a todas as etapas que compreendia serem necessárias.

Naquela época, as indústrias ainda faziam uso do famoso caderninho para o mapeamento de processos. A tabulação de custos era realizada quase que manualmente, planos de corte e de furação eram efetuados a mão, projetos?...realizados na velha prancheta, com régua "T", esquadro e nanquim. Detalhe, eram raras às que possuíam um departamento de desenvolvimento, sem contar as outras etapas que em sua maioria, nem existiam na maioria das empresas.

Narrei essa breve historia, apenas para ilustrar e chegar a um simples e desanimador fato!

Passados vinte e poucos anos, o mundo diante de grandes ferramentas com alta tecnologia e o amadorismo ainda persiste, pois não houveram grandes progressos com relação a metodologia utilizada pelas indústrias desse nicho com relação ao uso de procedimentos corretos de DNP.

O que vejo hoje, são empresários adquirindo produtos desenvolvidos por designers, isso é um fato, c
ontudo o fazem como se estivessem comprando um objeto qualquer em um shopping center.

Os métodos internos ainda continuam extremamente amadores e isso é possível constatar já na forma como os contratos desse tipo de prestação de serviços são efetuados e no processo do desenvolvimento do protótipo do novo produto.

Outro ponto que precisa ser salientado é que contratos desse tipo de prestação de serviços, raramente também são obedecidos ao pé da letra neste tipo de indústria.

Essas indústrias infelizmente não entenderam que para que um novo produto seja concebido é necessário seguir algumas métricas e acima de tudo respeitá-las.

Compreender que é fundamental que seja construído um novo produto com tempo hábil, para que pesquisas, analises, testes e processos sejam devidamente estabelecidos com um mínimo de tempo necessário e com equipe sincronizada e isso se refere também a participação bem de perto de seu criador.


O trabalho precisa ser de equipe ou seja, processo envolvendo outros departamentos e não restrito ao encarregado de produção e um marceneiro interno encarregado de construir o protótipo somente.

Na maioria o que acontece após a compra do projeto é que o designer quando externo, nem requisitado na indústria moveleira é para acompanhar todo o processo interno do desenvolvimento do novo produto ao qual ele mesmo é o pai, e menos ainda tem poder de estabelecer ajustes, muitas vezes necessários a esta nova criação.

A indústria acaba efetuando modificações sem o menor respeito ao profissional criador e menos ainda aos 
critérios tidos como os adequados a uma DNP.

Esse fato constata apenas uma coisa.....


    QUE O ÍNDICE DE AMADORISMO CONTINUA ALTO NESTE TIPO DE PROCESSO NA INDÚSTRIA MOVELEIRA!

O famoso CONTROL "C", CONTROL"V", precisa definitivamente ser banido das indústrias desse setor.


A exemplo da batalha, a amiga e também Designer Silvia Grilli ( Grande especialista na área e referencia no mercado), em pleno congresso moveleiro ano passado na cidade de Curitiba, expôs objetivamente esse fato aos olhos de todos que dele participaram.

Mas uma grande duvida persiste! 

                   Será que todos compreenderam o recado por "ela" exposto, de forma direta???

Não eximo a culpa de todos nós,designers. Afinal nossa obrigação, enquanto profissionais, sem duvida alguma é estabelecer já no contrato de prestação de serviços desse tipo, regras que visem o bom funcionamento dessas métricas fundamentais para uma DNP de sucesso e longe do amadorismo característico, alem da necessária fiscalização por nós profissionais, de forma intensiva para que falhas desse tipo deixem de acontecer.

É passada a hora do empresariado entender que como premissa:


"Desenvolvimento de Novos Produtos (DNP), entende-se como toda a ação ou processo total de estratégia, geração de conceito, avaliação do plano de produto e de marketing bem como a comercialização, destinado à implementação de uma nova oferta." (CRAWFORD, 1997).

Que é preciso respeitar as Fases do Desenvolvimento de Novos Produtos (DNP ), pois o DNP é uma atividade extensa que envolve a maioria das áreas das empresas, algo que ainda não esta claro nesse tipo de indústria e que por conta dessa falta de profissionalismo, não conseguiram ainda entender que é importante que cada indivíduo envolvido neste tipo de processo saiba exatamente qual a sua função e o quanto ela impacta no contexto geral de uma DNP.


“O desenvolvimento de novos produtos é considerado um meio importante para a criação e sustentação da competitividade. Para muitas indústrias, a realização de esforços nessa área é um fator estratégico e necessário para continuar atuando no mercado. A implementação de novos produtos sustenta a expectativa das empresas aumentarem sua participação de mercado e melhora sua lucratividade e rentabilidade .”(KOTLER, 2000; PARASURAMAN; COLBY, 2002). 

A divisão deste processo em fases é uma tática importante para o melhor entendimento do todo e claro, de seu controle.

Cada empresa pode com certeza adotar uma denominação e suas fases próprias do desenvolvimento, no entanto elas podem ser resumidas nas seguintes cinco principais fases segundo Crawford e Di Benedetto -2000:

Fase 1 – Identificação e seleção da oportunidade: atividade desenvolvida a partir de uma necessidade e pesquisa de mercado, sugestões de empregados, melhorias de produtos já existentes, entre outros. Ela consiste em listar oportunidades, as quais deverão ser classificadas de forma a facilitar o processo de escolha.

Fase 2 – Geração de conceito: esta fase consiste em descrever quais as necessidades, desejos e características para o produto que será desenvolvido.

Fase 3 – Avaliação do conceito do projeto: consiste em analisar os projetos existentes com base em diversos critérios, técnicos, de marketing e financeiros.

Fase 4 – Desenvolvimento: fase dividida em técnica e marketing; Atividades técnicas: projeto, construção de protótipos, testes e criação e validação de processos de produção, são algumas das atividades desta fase.

Atividades de marketing: preparo de estratégia, táticas e detalhes de lançamento.

Fase 5 – Lançamento: a principal tarefa desta fase é iniciar a distribuição e acompanhar a venda do novo produto. Cooper (2000) sugere 2 Fases adicionais ao processo:

A) Construção de negócio (localizada entre as Fases 2 e 3): Estudo das necessidades e desejos dos usuários, análise de competitividade, definição da proposta de valor, análise de viabilidade técnica, análise de operação, definição do produto, análise final;

B) Revisão de pós-lançamento (localizada após a Fase 5): análise do que foi feito versus o que foi planejado e o que foi aprendido.


Diante do exposto, a pergunta crucial a ser efetuada por esse tipo de indústria deverá ser:

Estamos respeitando e seguindo todas essas métricas de um processo de DNP?

Mais uma vez apelo ao bom senso e ao profissionalismo tão necessários neste setor!

Empresários e gestores , procurem avaliar melhor sobre seus processos internos de DNP e analisem se todos estes passos aqui citados estão de fato sendo seguidos e respeitados.

Avaliem com sinceridade e acima de tudo, profissionalismo e consciência!

Adélia Covre

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A Cadeia Moveleira pela Ótica do Produto em 2016!

O quadro de instabilidades na economia do país, nos fez iniciar 2016 com vários especialistas, empresários e consultores do setor moveleiro, passando inúmeros aconselhamentos referentes a estratégias à serem adotadas pelos moveleiros, com o objetivo único, que esse setor tão castigado pela falta de iniciativas rumo a inovação e mudança comportamental, consiga driblar os saldos baixos provocados pela desaceleração do consumo.

Contudo, sabemos todos perfeitamente que o inicio de qualquer boa iniciativa, inicia-se pela mudança interior proveniente de nossa linha de pensamento e consequentemente, comportamentos.

Afinal, iniciativa alguma ocorre enquanto possuirmos alguma resistência a ela!

É um principio budista, porem é um ensinamento valioso ao qual se encaixa perfeitamente nesse contexto.

Contrariando alguns dos comentários vinculados na mídia, acredito que houve sem a menor sombra de duvidas, uma mudança comportamental do consumidor sem precedentes com relação a sua forma de comprar.

Com recursos escassos, o cliente de hoje passou a comprar o necessário, quando decide pela compra, deseja que sua experiência com o objeto do desejo provoque sentimentos que agreguem valores substanciais a seus sentidos.

“Ele” não aceita mais, pagar muito por tão pouco oferecido.

Quer ter suas necessidades e desejos de consumo satisfeitos no âmbito não somente da funcionalidade, beleza, interatividade, praticidade e segurança mas principalmente....

......O Consumidor PASSOU A DAR VALOR AOS SENTIDOS!

Este novo público deixou de comprar para satisfazer suas necessidades básicas.

Nesse novo momento, ele adquire um produto levando em conta seu emocional deixando o racional praticamente de lado e, por isso, o Mestre Kotler afirma que o consumidor atual passou a comprar com coração, mente e espírito.

Para esse novo consumidor, o valor do produto adquirido deixou de ser apenas funcional e passou a ser totalmente emocional.

Logo, a pergunta no mercado que será realizada por esse novo perfil de cliente na hora da compra será:

QUAL PRODUTO ME AGREGARÁ VALOR EMOCIONALMENTE?

Essas são as premissas da era do Marketing 3.0.

Um outro importante aspecto ao qual é preciso levar em consideração e será importante nestes novos tempos, deverá ser em relação à tecnologia, que embora um dia tenha ocorrido pelos modos da revolução industrial ou da informação, hoje é considerada no mercado mundial como a “tecnologia de uma nova era”.

As indústrias do futuro estão bem diante de nossos olhos !

Ferramentas tecnológicas poderosas estão hoje disponíveis no mercado e a disposição das indústrias.

A exemplo podemos citar o sistema MES , que é uma poderosa e inovadora ferramenta da tecnologia da informação, concebida para dar suporte à gestão dos processos produtivos, a proporcionar meios para aumentos consistentes de produtividade e qualidade e redução de perdas, custos e prazos.

Através dela, gestores podem obter instantaneamente respostas tais como:

1. O que está acontecendo na fábrica neste instante?

2. Onde estão as origens das perdas, onde se encontram as maiores deficiências na manufatura?

3. Quais são os reais índices de utilização dos equipamentos?

4. Como foram consumidas as horas disponíveis dos recursos produtivos?

5. Onde é possível obter ganhos, melhorar processos de forma a tornar a empresa mais produtiva?

6. Quais são os tempos reais (ciclos de produção, set-up, paradas, manutenções, etc.)?

Nos últimos anos, o indicador chamado OEE (Overall Equipment Effectiveness), proposto na metodologia TPM (Total Productive Maintenance), vem sendo aplicado por diversas indústrias de produção 
em série e apresentando resultados significativos.


Com o indicador OEE, é possível ser verificado o quanto uma empresa está utilizando os recursos disponíveis de máquinas, de mão-de-obra e de materiais em sua produção.

A grande vantagem desse indicador é que ele desmembra a eficiência em três indicadores:

DISPONIBILIDADE, PERFORMANCE E QUALIDADE.

O OEE pode ser considerado um integrador de áreas, já que fornece a informação de desempenho que afeta toda a indústria. Deste modo, todas as áreas como manufatura, engenharia, qualidade e manutenção respondem pelo mesmo indicador e devem trabalhar em conjunto para a melhoria comum.

Além disso, o OEE fornece dados para a tomada de decisões estratégicas.

Logo através do OEE, gestores conseguem visualizar a real capacidade da indústria com relação ao atendimento de sua demanda, auxiliando os mesmos em decisões do tipo:


  • Qual a melhor e qual a pior máquina?
  • É melhor reformar a máquina? Ou é melhor trocar a máquina?
  • É preciso ampliar a fábrica ou incluir mais linhas de produção?
  • Utilizar um quarto turno nos fins de semana, pode atender a carteira de pedidos?
Assim sendo, é muito mais avançada e direcionada para vários ramos de atividade e portanto, esse fator será necessário ser levando em consideração durante o estudo de uma estratégia de marketing.

Todos os gestores , precisaram ter claro que na era do marketing 1.0 segundo Kotler, a premissa era composta pelas maneiras inovadoras de criação de um produto concebido.

No Marketing 2.0, o intuito era ver o consumidor como ser humano, isso é, levar em conta seus sentimentos e emoções. Agora na era do marketing 3.0, a estratégia é baseada por sua vez, na junção da definição de como apresentar o conteúdo que foi definido nas duas primeiras, ao consumidor.

Um outro quesito tão importante quanto o restante exposto, é a questão da sustentabilidade, principalmente porque esse tema é um ponto chave desta nova geração da atualidade.

Logo, essa pauta jamais poderia passar despercebida nesta nova linguagem de mercado e obviamente no conceito proposto pelo Marketing 3.0, que vem apresentar também ao mercado, uma série de atitudes que visam investir de forma inteligente e não prejudicial ao meio ambiente.

Em mais esse post volto a insistir – “A ERA DA INCOMPETENCIA TERMINOU”!

A velha mania da cópia, efetuadas em grande parte das indústrias e realizadas internamente em sua maioria por gerentes industriais e engenheiros de produção, muito comum nesse setor, diga-se de passagem, terá que dar lugar à criatividade dos designers de produtos, aos quais são os verdadeiros especialistas desta área.

Abro parênteses para um fato muito importante:

Jamais existiu nesse mercado, tamanha valorização do design como a que esta ocorrendo nos dias atuais!

O velho hábito de jogar a sujeira para debaixo do tapete, provenientes dos diversos erros de gestão cometidos em muitas indústrias, terá nestes novos tempos, que dar espaço para a racionalização de processos internos e até mesmo alguns externos, para ser possível a redução e readequação de custos.

O amadurecimento das ações se dará por intermédio de um exímio plano de planejamento estratégico de ações voltadas a produtos e mercados a serem explorados.

Através de todos esses aspectos tratados, o Marketing 3.0 apresenta ainda 10 premissas que devem ser seguidas e dentre elas destaco três as quais estão entre os fundamentais para se ter sucesso daqui para frente:

1. As Indústrias precisarão respeitar seus concorrentes;

2. Deverão ser sensíveis às mudanças e estar prontas para transformarem (aqui se enquadra o quesito Inovação);

3. Precisam estar disponíveis e espalhar boas notícias, entre outras atitudes resilientes.


Em suma, daqui para frente será preciso que as indústrias estudem e principalmente entendam as mentes, os corações e os sentimentos deste consumidor do futuro para terem dessa forma, condição de garantir o sucesso de seus produtos no mercado daqui para frente.

Nessa “Era de Valores”, as empresas terão que estar conectadas por inteiro, isso que dizer precisarão estar conectadas com a mente, o corpo e alma não somente com seus clientes, mas com a sociedade em um todo.

“Numa cultura voltada para as inovações, como a nossa, os erros não são malvistos. A cada erro realizado, a administração não diz: ‘que estúpidos vocês são. ‘ E sim: ‘ o que nós podemos aprender com a falha?’” (Lívio De Simone, presidente mundial da 3M)

Que o setor moveleiro possa finalmente promover ações que os levem a consolidação do sucesso e consigam definitivamente reinventarem-se!!!

Adélia Covre

Share This