AC- AdeliaCovre Consulting - Consultiria e Assessoria em Gestão de Produtos - Indústria Moveleira


"Não olhe para o ciclo de vida do produto: olhe para o ciclo de vida do mercado."(Philip Kotler)
"A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o processo pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente."(Peter Drucke).

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

As Falhas ainda encontradas na Indústria Moveleira quanto ao quesito - Desenvolvimento de Novos Produto (DNP)!

É Impressionante como em pleno século XXI e diante de tantas mudanças e inovações acontecendo no mercado e no mundo, persistem na indústria moveleira velhos hábitos nada adequados quando o assunto se refere aos métodos utilizados no processo de desenvolvimento de novos produtos - DNP.

Obviamente que não poderia negligenciar que muitas delas já entenderam que é preciso fazer uso do designer de produtos para essa importante tarefa.


Contudo, a forma a qual o processo é tratado internamente, continua sendo de forma amadora por muitas e completamente fora dos requisitos básicos exigidos para que funcione de maneira eficaz tanto no âmbito interno quanto no externo da empresa.

Lembro-me bem que quando muito nova, com bagagem profissional sendo construída, sendo amadurecida e atuando como uma recém Gerente de desenvolvimento de novos produtos em indústria, a rotina de uma DNP, não era nada profissional nesse tipo de indústria.

Ora o lojista comparecia a indústria para uma visita e imediatamente lançava uma ideia, geralmente inspirada em copia oriunda de outros fabricantes, em outros momentos nosso próprio diretor  nos aparecia com propostas de mesma similaridade, o que a meu ver era deprimente e desrespeitador para com toda equipe de projeto.


Detalhe, sempre no ultimo minuto do segundo tempo e tínhamos que desenvolver o novo produto da noite para o dia, todo o processo sem o menor critério, aqueles tão necessários como os de: analises de mercado, tendências, padronagens,  testes de mecanismos utilizados, analise de viabilidades sócio-econômica e menos ainda mapeamento de processos para o lançamento exigido de ultima hora. Sem contar, a prática que nunca fui a favor, e os que me conhecem a anos bem sabem, das inúmeras vezes que provoquei discussões com a diretoria e mesmo no setor em questão, em torno dessa velha prática do Control "C", Control "V" bem característica na indústria moveleira.

Inúmeras vezes passei por essa desagradável situação diante de uma feira prestes a se iniciar ou seja, faltando menos de uma semana para seu inicio e tendo que estar com o 
produto, fruto da falta de profissionalismo, pronto sem que pudesse obedecer a todas as etapas que compreendia serem necessárias.

Naquela época, as indústrias ainda faziam uso do famoso caderninho para o mapeamento de processos. A tabulação de custos era realizada quase que manualmente, planos de corte e de furação eram efetuados a mão, projetos?...realizados na velha prancheta, com régua "T", esquadro e nanquim. Detalhe, eram raras às que possuíam um departamento de desenvolvimento, sem contar as outras etapas que em sua maioria, nem existiam na maioria das empresas.

Narrei essa breve historia, apenas para ilustrar e chegar a um simples e desanimador fato!

Passados vinte e poucos anos, o mundo diante de grandes ferramentas com alta tecnologia e o amadorismo ainda persiste, pois não houveram grandes progressos com relação a metodologia utilizada pelas indústrias desse nicho com relação ao uso de procedimentos corretos de DNP.

O que vejo hoje, são empresários adquirindo produtos desenvolvidos por designers, isso é um fato, c
ontudo o fazem como se estivessem comprando um objeto qualquer em um shopping center.

Os métodos internos ainda continuam extremamente amadores e isso é possível constatar já na forma como os contratos desse tipo de prestação de serviços são efetuados e no processo do desenvolvimento do protótipo do novo produto.

Outro ponto que precisa ser salientado é que contratos desse tipo de prestação de serviços, raramente também são obedecidos ao pé da letra neste tipo de indústria.

Essas indústrias infelizmente não entenderam que para que um novo produto seja concebido é necessário seguir algumas métricas e acima de tudo respeitá-las.

Compreender que é fundamental que seja construído um novo produto com tempo hábil, para que pesquisas, analises, testes e processos sejam devidamente estabelecidos com um mínimo de tempo necessário e com equipe sincronizada e isso se refere também a participação bem de perto de seu criador.


O trabalho precisa ser de equipe ou seja, processo envolvendo outros departamentos e não restrito ao encarregado de produção e um marceneiro interno encarregado de construir o protótipo somente.

Na maioria o que acontece após a compra do projeto é que o designer quando externo, nem requisitado na indústria moveleira é para acompanhar todo o processo interno do desenvolvimento do novo produto ao qual ele mesmo é o pai, e menos ainda tem poder de estabelecer ajustes, muitas vezes necessários a esta nova criação.

A indústria acaba efetuando modificações sem o menor respeito ao profissional criador e menos ainda aos 
critérios tidos como os adequados a uma DNP.

Esse fato constata apenas uma coisa.....


    QUE O ÍNDICE DE AMADORISMO CONTINUA ALTO NESTE TIPO DE PROCESSO NA INDÚSTRIA MOVELEIRA!

O famoso CONTROL "C", CONTROL"V", precisa definitivamente ser banido das indústrias desse setor.


A exemplo da batalha, a amiga e também Designer Silvia Grilli ( Grande especialista na área e referencia no mercado), em pleno congresso moveleiro ano passado na cidade de Curitiba, expôs objetivamente esse fato aos olhos de todos que dele participaram.

Mas uma grande duvida persiste! 

                   Será que todos compreenderam o recado por "ela" exposto, de forma direta???

Não eximo a culpa de todos nós,designers. Afinal nossa obrigação, enquanto profissionais, sem duvida alguma é estabelecer já no contrato de prestação de serviços desse tipo, regras que visem o bom funcionamento dessas métricas fundamentais para uma DNP de sucesso e longe do amadorismo característico, alem da necessária fiscalização por nós profissionais, de forma intensiva para que falhas desse tipo deixem de acontecer.

É passada a hora do empresariado entender que como premissa:


"Desenvolvimento de Novos Produtos (DNP), entende-se como toda a ação ou processo total de estratégia, geração de conceito, avaliação do plano de produto e de marketing bem como a comercialização, destinado à implementação de uma nova oferta." (CRAWFORD, 1997).

Que é preciso respeitar as Fases do Desenvolvimento de Novos Produtos (DNP ), pois o DNP é uma atividade extensa que envolve a maioria das áreas das empresas, algo que ainda não esta claro nesse tipo de indústria e que por conta dessa falta de profissionalismo, não conseguiram ainda entender que é importante que cada indivíduo envolvido neste tipo de processo saiba exatamente qual a sua função e o quanto ela impacta no contexto geral de uma DNP.


“O desenvolvimento de novos produtos é considerado um meio importante para a criação e sustentação da competitividade. Para muitas indústrias, a realização de esforços nessa área é um fator estratégico e necessário para continuar atuando no mercado. A implementação de novos produtos sustenta a expectativa das empresas aumentarem sua participação de mercado e melhora sua lucratividade e rentabilidade .”(KOTLER, 2000; PARASURAMAN; COLBY, 2002). 

A divisão deste processo em fases é uma tática importante para o melhor entendimento do todo e claro, de seu controle.

Cada empresa pode com certeza adotar uma denominação e suas fases próprias do desenvolvimento, no entanto elas podem ser resumidas nas seguintes cinco principais fases segundo Crawford e Di Benedetto -2000:

Fase 1 – Identificação e seleção da oportunidade: atividade desenvolvida a partir de uma necessidade e pesquisa de mercado, sugestões de empregados, melhorias de produtos já existentes, entre outros. Ela consiste em listar oportunidades, as quais deverão ser classificadas de forma a facilitar o processo de escolha.

Fase 2 – Geração de conceito: esta fase consiste em descrever quais as necessidades, desejos e características para o produto que será desenvolvido.

Fase 3 – Avaliação do conceito do projeto: consiste em analisar os projetos existentes com base em diversos critérios, técnicos, de marketing e financeiros.

Fase 4 – Desenvolvimento: fase dividida em técnica e marketing; Atividades técnicas: projeto, construção de protótipos, testes e criação e validação de processos de produção, são algumas das atividades desta fase.

Atividades de marketing: preparo de estratégia, táticas e detalhes de lançamento.

Fase 5 – Lançamento: a principal tarefa desta fase é iniciar a distribuição e acompanhar a venda do novo produto. Cooper (2000) sugere 2 Fases adicionais ao processo:

A) Construção de negócio (localizada entre as Fases 2 e 3): Estudo das necessidades e desejos dos usuários, análise de competitividade, definição da proposta de valor, análise de viabilidade técnica, análise de operação, definição do produto, análise final;

B) Revisão de pós-lançamento (localizada após a Fase 5): análise do que foi feito versus o que foi planejado e o que foi aprendido.


Diante do exposto, a pergunta crucial a ser efetuada por esse tipo de indústria deverá ser:

Estamos respeitando e seguindo todas essas métricas de um processo de DNP?

Mais uma vez apelo ao bom senso e ao profissionalismo tão necessários neste setor!

Empresários e gestores , procurem avaliar melhor sobre seus processos internos de DNP e analisem se todos estes passos aqui citados estão de fato sendo seguidos e respeitados.

Avaliem com sinceridade e acima de tudo, profissionalismo e consciência!

Adélia Covre

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