No Post publicado por mim anteriormente, me detive em elucidar as falhas ainda encontradas na indústria moveleira quando o assunto diz respeito ao uso de métricas de uma DNP (Desenvolvimento de Novos Produtos), enquanto processo interno e externo a ser seguido e respeitado pelas indústrias desse segmento.
Contudo, certas etapas iniciais são fundamentais para que todo esse complexo processo tenha seu andamento com eficiência. Isso quer dizer que depende não somente da equipe interna de uma empresa, mas também da externa que neste contexto são os responsáveis pelo fornecimento de insumos, aqueles elementos essenciais para a produção de um determinado produto.
É preciso aqui lembrar que no mundo dos negócios, parceria tem um sentido estratégico de aliança em torno de um projeto, que quando realizado em cooperação, pode trazer maiores benefícios para os parceiros e seus clientes.
Visando dar continuidade a esse assunto de suma importância, ainda mais diante de uma atualidade de mercado em mutação acelerada, venho dar prosseguimento ao tema debatendo a falta de engajamento encontrados no setor moveleiro originados não somente da parte dos moveleiros mas também por parte de fornecedores de ferragens e acessórios neste processo de grande importância que é a DNP.
Um sistema seja ele qual for, para que funcione corretamente insisto......É PRECISO QUE ESTE OCORRA EM PERFEITA HARMÔNIA E SINCRONICIDADE.
Subentende-se, que é preciso que haja comprometimento na empresa de todas as partes, ou seja, das áreas interna e externa envolvidas em todo esse processo.
Afinal, métrica alguma pode ser seguida de maneira adequada e com êxito, caso um dos pilares cometa falhas ou negligências no longo caminho a ser percorrido.
Neste caso específico, quero me referir aos fornecedores desses insumos citados anteriormente, até porque passei recentemente por um desconforto nesse sentido ao qual é um exemplo real dos descasos que corriqueiramente são cometidos nesse setor.
Quando não há comprometimento por parte de fornecedores para com seus clientes nesse processo, torna-se impossível uma DNP chegar ao seu final com real eficiência e cumprimento de prazos.
Que a indústria moveleira ainda negligencia seguir a risca os fundamentos da DNP, isso não é mais novidade para ninguém.
Contudo, enfrentamos neste mercado hoje, um outro contrassenso:
A FALTA DE COMPROMETIMENTO TAMBÉM DE FORNECEDORES, QUANDO O ASSUNTO DIZ RESPEITO À AGILIDADE DE ENTREGA DE AMOSTRAS PARA O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE NOVOS PRODUTOS (DNP).
Como sou da opinião que só conseguimos enxergar determinadas falhas, quando elas de fato acontecem diante de nosso olhos, resolvi narrar um clássico exemplo vivenciado por mim em um cliente.
Recentemente, após ter desenvolvido um novo produto para uma conceituada indústria do setor moveleiro, solicitei amostras das ferragens a serem utilizadas no protótipo e determinantes para que um sistema inovador pudesse ser desenvolvido.
Detalhe: com antecedência considerável, ou seja, muito antes do processo interno na indústria ser disparado.
Para minha surpresa, passados dois longos meses o pedido solicitado ao fornecedor ainda não havia sido entregue e não por falta de cobrança de minha parte, ao contrario.
A equipe interna deste cliente não me colocou a par da real situação justamente por ter como premissa manter o designer afastado da criação após a aquisição do projeto, algo que confesso ter me surpreendido por não estar habituada a trabalhar dessa maneira.
Todas as vezes que entrei em contato com a equipe deste cliente específico, o que ouvi foi uma forma educada de me manter longe alegando que tudo estava correndo bem e que quando o protótipo estivesse pronto, me avisariam para poder acompanhar sua finalização e ajustes.
Faço um pequeno aparte:
Passaram-se um mês, dois e nada dos encarregados responsáveis pelo processo interno deste cliente me chamarem.
Logo comprovei um fato ao qual já desconfiava!
Meu cliente deixou o processo ser disparado tarde demais e pela complexidade de um sistema indicado para esse projeto e que seria desenvolvido a partir de uma ferragem específica a ser instalada no protótipo, não haveria tempo hábil para o desenvolvimento acontecer no prazo antes estipulado.
Primeiramente o sistema novo a ser utilizado, se adquirido pronto, precisaria ser importado e seu valor nada atrativo para esse mercado, objetivamente o jeito seria desenvolve-lo no mercado interno mesmo, o que demandaria certo tempo.
Alem deste desconforto, para completar a falha no processo, o fornecedor do principal dispositivo, não havia entregue a suposta ferragem principal para o possível desenvolvimento do novo sistema. Detalhe.....após dois meses que a solicitação havia sido efetuada.
Segundo o vendedor desse fornecedor, não cito seu nome por ética, ao invés de mandar entregar diretamente a encomenda neste cliente que faria uso da ferragem solicitada, achou melhor esperar que o comprador desta indústria moveleira, solicitasse a ele a entrega, ou seja, teve uma ABSURDA conduta, ainda mais vinda de um fornecedor de renomada indústria multinacional, uma vez que quando solicitado, foi pedido que o sistema fosse entregue diretamente ao cliente e para um determinado encarregado pela DNP nesta empresa!
O que nos passa pela mente em um caso destes é:
O fornecedor agiu com Descaso?
Houve falha na comunicação?
Faltou profissionalismo do vendedor deste fornecedor?
Faltou agilidade da área de logística do fornecedor?
Despreparo e Amadorismo do vendedor do fornecedor?
Obviamente que nesta situação ocorreu de tudo um pouco, inclusive falhas internas no cliente.
Contudo, o mais grave que vejo neste exemplo e falha imperdoável, foi justamente a falta de comprometimento desde determinado fornecedor com todo o processo, com o designer ao qual solicitou as amostras e lhe indicou bem como com seu próprio cliente, a indústria moveleira em questão.
Claro que não posso eximir a falha interna de meu cliente, ao qual sem sombra de duvidas jamais poderia ter negligenciado a complexidade do novo produto a ser desenvolvido.
A primeira falha cometida pelo cliente, deu-se quando os envolvidos no processo da DNP, sabendo que o designer autor havia solicitado as amostras das ferragens ao fornecedor indicado, não se preocuparam em fiscalizar os prazos de entrega das mesmas e em momento algum entrou em contato seja com este fornecedor em questão, seja com o designer, para saber o porque da demora da entrega.
Não houve fiscalização no processo de coleta de materiais a serem utilizados pelo cliente usuário, assim como falha total na comunicação interna e externa (Fornecedor x Cliente - Cliente x Fornecedor - Cliente x Designer).
Importante ressaltar: Quando a documentação do projeto foi entregue, foi comunicado que a indicação de fornecedores de ferragens e acessórios era uma mera referencia, podendo a indústria escolher os fornecedores livremente desde que respeitando o sistema escolhido independente das amostras que mim haviam sido solicitadas pra um determinado fornecedor.
Neste caso especifico, houve total descaso com o processo de ambos os lados ( Indústria e Fornecedor), devido ao vicio latente que todos os envolvidos possuem, em deixar um novo desenvolvimento sempre para o ultimo minuto do segundo tempo em total acomodação.
Sendo assim, claro que os envolvidos não se preocuparam com os prazos.
Em se tratando de métricas de uma DNP, a indústria moveleira falhou no processo como um todo, pois uma vez que a documentação do novo produto já se encontrava em mãos, poderia perfeitamente ter dado inicio a DNP com a antecipação necessária ao invés de ter deixado para o último minuto do segundo tempo.
Moral da história, o lançamento foi adiado e pode ser ate comprometido devido a uma sucessão de falhas tanto do fornecedor, quanto da indústria.
Este é um belo exemplo de que falhas desse tipo, podem sem sombra de duvidas comprometer o lançamento futuro de um novo produto.
“Não há nada tão inútil quanto fazer com grande eficiência algo que não deveria ser feito”(Peter Drucker)
Esse é um exemplo clássico dos erros sucessivos que ocorrem nestas indústrias do setor moveleiro em pleno século XXI.
Este é apenas um exemplo da falta de comunicação interna e da velha mania enraizada relativas a falta de respeito por prazos de processos e a pouca importância dada ao desenvolvimento de um novo produto, desrespeitando assim todos os fundamentos e métricas, aos quais citei em meu post anterior relativos ao processo correto de DNP.
Essa é uma típica demonstração do amadorismo encontrado ainda nesse setor sem contar o tipico exemplo que citei em meu post anterior, sobre a tipica mania da indústria moveleira querer manter o designer criador externo, longe do comando de sua criação!
O que não posso deixar de citar é o descaso e porque não dizer, o descomprometimento existente, tanto das indústrias moveleiras, quanto de fornecedores, quando o tema é a a criação de uma DNP.
Quem sai perdendo?...Todos!
A bem da verdade essa miopia ocorre por um simples motivo:
“No vocabulário da maioria das pessoas, design significa aparência. É decoração de interiores. É o tecido de cortinas, do sofá. Mas para mim, nada poderia estar tão longe do significado de design. Design é a alma fundamental de uma criação humana, que acaba se expressando em camadas externas sucessivas do produto ou serviço.” (Steve Jobs)
Torna-se inadmissível, diante desses tempos de novos conceitos, como os do Marketing 3.0, encontrarmos empresas que recusam-se em profissionalizar seus processos internos ou mesmo que negligenciam a prática de uma eximia gestão interna.
É preciso ter claro que os modelos tradicionais de gestão, formulados com base nas características da sociedade industrial, em épocas passadas incorporavam uma visão restrita sobre o papel do ser humano nas organizações, em decorrência, as ações relativas ao aproveitamento do pleno potencial de seus colaboradores eram conduzidas de forma limitada.
Na atualidade, a ambiência dos negócios nesses novos tempos, exige a superação dessas limitações.
Nesta sociedade do conhecimento, torna-se indispensável à plena utilização do potencial criativo e inovador encontrado em todos os colaboradores, mas que somente se torna efetiva quando corretamente desenvolvida.
Precisamos ter como fator mais do que necessário para essa nova realidade, a prática da GESTÂO POR COMPETÊNCIA!
Algo que esse setor ainda esta longe de compreender seu real significado.
Ressalto ainda que competência compreende aspectos intelectualizados e adquiridos, conhecimentos, capacidades e experiência.
A Gestão por Competências e Habilidades Estratégicas, tem como base a orientação e o foco interdisciplinar e multifuncional das competências e habilidades, proporcionando a convergência dos comportamentos organizacionais em qualquer atividade, função ou papel desempenhado em uma organização.
Resumidamente é o gerenciamento com foco no desempenho/performance, tanto a nível individual quanto organizacional, utilizando indicadores estratégicos de resultados baseados nas competências (conhecimento, saber) e habilidades (ação, fazer) específicas e estratégicas.
E ai vem a inevitável pergunta!....
Tal preceito é seguido neste setor???
Realmente não é nada fácil encontrar um projeto que tenha sido planejado e executado de forma perfeita, sem nenhum problema ou contratempo, principalmente em termos de orçamento, prazo final e qualidade do produto neste setor.
Obviamente que todos sabemos que não é fácil manter uma parceria cordial e profissional com todos os envolvidos em uma empresa.
Muito embora nenhum projeto é absolutamente perfeito, alguns deles conseguem chegar ao final com uma quantidade mínima de problemas e apesar das dificuldades, muitos projetos até terminam em sucesso.
Mas por outro lado, não é raro encontrarmos projetos que foram pouco ou mal sucedidos. Algumas das vezes um projeto pode ser um total fracasso. E também é muito comum terminar um projeto com prazo final e orçamento seriamente comprometidos.
Existem muitas causas possíveis para os problemas que cercam um processo de DNP.
Entretanto, os erros mais comuns que estão na raiz da maioria destes problemas são:
• Planejamento inadequado e falta de definição do escopo do projeto;
• Ingerências no plano de trabalho;
• Recursos humanos e financeiros inadequados ou insuficientes;
• Inadequada gestão provocando mudanças de escopo;
• Comunicação falha entre os envolvidos no projeto (Stakeholders);
• A não visualização dos riscos do projeto;
• Falhas no gerenciamento da qualidade do projeto.
Com base no exemplo aqui citado das falhas ainda encontradas no processo de DNP, podemos concluir o quão longe esse setor está da COMPETÊNCIA exigida por essa nova era de valores.
“Para que a implantação de um Sistema de Gestão tenha Sucesso, é importante a integração dos processos aliada à tecnologia, o apoio do suporte, o treinamento e principalmente o envolvimento e dedicação de toda a equipe da empresa.” (André de Araújo Campos)
É passada a hora de extirpar de uma vez por todas o amadorismo encontrado no setor moveleiro com relação as práticas básicas para obtenção de sucesso em processos de DNP!
Gravem que a palavra de ordem desta nova era é......COMPETÊNCIA e que o exemplo aqui citado sirva de alerta para que falhas assim possam deixar de existir no setor.
Adélia Covre



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